Seu retumbante olá preparara o recinto, e seguido por tal sonoro arauto adentrou vitorioso à casa familiar. A avó proferiu pouco mais de murmúrios em resposta, garfeando soturna um mosaico de legumes. Os demais sequer o fitaram. Mas prosseguiu inabalado, e após contemplativa pausa diante da mesa de jantar acabou por conferir ao pote de farofa todo poder de seus comprimentos, num vigoroso elevar do polegar.
Rumando ao quarto percebeu que aquilo só fizera elevar sua alegria, contentando-o ainda mais, talvez, do que uma adequada e encorajadora retribuição do olá o teria. Ainda assim, negou-se, orgulhoso, a acompanhar os familiares em sua refeição, declarando que tais pequenas ofensas lhe eram as mais graves.
Muito depois, o avô ao servir-se observaria, despontava no arenoso relevo do pote um farináceo sorriso, como aqueles que dedos delineiam na praia.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
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Um comentário:
'um farináceo sorriso'
haha bah, muito bom! Vou me animar a ler o blog inteirinho :)
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