Seu retumbante olá preparara o recinto, e seguido por tal sonoro arauto adentrou vitorioso à casa familiar. A avó proferiu pouco mais de murmúrios em resposta, garfeando soturna um mosaico de legumes. Os demais sequer o fitaram. Mas prosseguiu inabalado, e após contemplativa pausa diante da mesa de jantar acabou por conferir ao pote de farofa todo poder de seus comprimentos, num vigoroso elevar do polegar.
Rumando ao quarto percebeu que aquilo só fizera elevar sua alegria, contentando-o ainda mais, talvez, do que uma adequada e encorajadora retribuição do olá o teria. Ainda assim, negou-se, orgulhoso, a acompanhar os familiares em sua refeição, declarando que tais pequenas ofensas lhe eram as mais graves.
Muito depois, o avô ao servir-se observaria, despontava no arenoso relevo do pote um farináceo sorriso, como aqueles que dedos delineiam na praia.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
terça-feira, 6 de novembro de 2007
"Kerrfing! Kerrfing! Amarre o alabastro! Pauling, azeite aqueles bulbos!" O olhar se arrasta agressivo, percorrendo enfileiradas cabeças suadas, oprimidas pelo silêncio. "Stanley, pederasta caolho! Onde está meu canudo!?"
Corcunda vai, corcunda vem. Reluz no breu cálido um cilindro, canudo mesmo. Vai de encontro ao capataz. Explode a ponta, preenchendo a sala com um efêmero clarão, inundando-a de um miasma polvóreo. Não era um canudo.
O silêncio se adensa, Stanley esfrega as axilas.
As cabeças hesitam, observam-se.
Outras axilas são coçadas.
Olhares se afilam.
Voltam-se à Stanley.
Este dá de ombros.
E tímido, sorri.
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