domingo, 16 de dezembro de 2007


Um êmbolo a condenar-me... Espátulas, formões, pregos e roldanas conjugadas, tudo oculto sobre camadas de tecido pele e carisma, mesmo o mosquete repousava incólume sob o as quilhas do assoalho. Aporta o oficial imperial, pilhas de suborno nos bolsos, litros de cerveja nas bexigas de seu séqüito. No ato da despedida, sorrisos, enganos mútuos e voluntários, quiçá fortuitos. Botas militares ressoariam pela última vez no piso do novo cartório. E eis que a derradeira passada estilhaça antes de estremecer.
Honra em jogo, aquela pífia a restar nas redobras da casaca de sargento, maldito filete de dignidade: floretes saíram de todas fendas de mobília, sabres reluziram em bainhas folheadas a ouro. Sangue coloriu pela primeira vez a casa de oficio. Mas então já me encontrava sobre a chaminé vizinha, mirando a bolsa do quitandeiro.

2 comentários:

Nevermore disse...

"pele, tecido e carisma" poderosas armas de destruição neste emaranhado de ligações tortuosas da grande vila.

Manuela d`Eça Neves disse...

vcs e o grego!!!