- Filho...
- ...
- Filho!
- Que que foi pai?
- Me traz um macaco.
- O que?
- Um macaco...
- Um macaco?
- É. Um daqueles. Corado e gordinho.
- Mas pai!
- Ah filho, um só. Ninguém vai perceber...
- Mas é um macaco pai!
- Deixa disso, tem vários. Traz ele aqui.
- Não pai, não vou fazer isso.
terça-feira, 29 de maio de 2007
quinta-feira, 17 de maio de 2007
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A Prudência de Csardas
Príncipe Solar: "Saiba, ó Csardás, que tua estirpe releva tanto quanto aquela senhora idosa oculta pelo cacto."
Csardas: “Então presenteie-me com doze ânforas ornadas e preenchidas com a mais cremosa gordura de leviatã e estamos conversados”
Príncipe Solar: “Até três diminutas e murchas cabeças de morcego embalsamadas, finamente dispostas em fila sobre uma bandeja de barro cru e circundadas por rubros recipientes contendo suas respectivas vísceras bestiais compondo uma delicada harmonia geométrica com uma borda listrada de pequenos intestinos entrelaçados e pigmentados com cupins imperiais seriam demasiado dignas diante de tua indecorosa presença.”
Csardas: “A qual dos cactos fazias referência?”
Príncipe Solar: “Mesmo a mera ausência de luz pálida e débil que tua forma odiosa projeta sobre minhas sacras sandálias insulta a nobre linhagem da Casa dos Filhos de Ur!”
Csardas: “Estás certo que aquela corcunda matrona não deveria estar tingindo seda ou labutando diante do fogo de alguma câmara de confeiteiros?”
Príncipe Solar: “Também ousas proferir impropérios acerca da organização de meu palácio? Quando veio livrar do pó as reentrâncias entre os azulejos desta sala ela teve seus velhos olhos ofuscados pela fulgurante radiância de minha aura real, e agora jaz ali em paralisado deslumbramento. Como um atestado singelo de minha infinita misericórdia eu permiti-lhe a honra de permanecer... Mas como se atreve! Tuas frivolidades pífias me desviaram da adequada enumeração de toda a miríade de ofensas provocadas pelo roçar de teus pés sobre esse piso sagrado!”
Csardas: “Por mais sensato que te pareça ainda acho inadequado que alguém porte uma zarabatana próximo à um chefe de estado, principalmente em se tratando de uma velha”
Príncipe Solar: “Até tua visão é torpe, ó patético ser? Não percebes que aquilo é o respaldo cilíndrico de um espanador? Agora abandone tuas covardes interrupções e enfrente minha ira verbal com o que resta de dignidade em tua carcaça!”
Csardas: “Ouça-me príncipe, eu lhe falo seriamente, aquela senhora está prestes a mirar-te com aquele toco de bambu.”
Príncipe Solar: “Mesmo minha paciência divina conhece limites Csardás! Eu não tolerarei outra...”