quarta-feira, 20 de junho de 2007


Já dizia o velho Padre Freitas “É tudo questão de termodinâmica, termodinâmica e alguma reza-brava”: Nunca entendi o que era essa reza-brava, e para dizer a verdade, a própria termodinâmica sempre me fora abstrata demais. Naquela época, era ler um pouco de Agrippa, não entender, servir-se de conhaque, ler um pouco mais, ou melhor, ler o que se lera antes, e por fim desistir para juntar uns trocados e partir para o quarteirão alegre esquecer toda aquela arenga agripposa e o não-entendimento que emanava dela. No fim, afora os cobradores do fornecedor de mercúrio que sempre batiam à porta no fim do mês com seu diálogo monossilábico e sugestivo tamborilar de dedos sobre a bainha, eu só falava com as putas e aquele padre fedorento, sempre carregando um macaco voador empalhado. Você só percebia que o mal cheiro de putrefação não vinha do macaco quando era tarde demais. Mas então, toda gente velha sempre me pareceu dotada de um odor peculiar, que não por dormir metade do dia do lado de uma vasilha repleta de merda ou tomar menos banho que o resto da família, isto é, uma vez por mês. Eles apenas estão a se decompor.

3 comentários:

Anônimo disse...

No IEE tem um professor que fede naftalina, acho que o caso dele é mais sério....
Tem velhinhas que tem um cheiro extranho mesmo. Uma vez sentei no onibos ao lado de um cara que fedia a benzina, mas isso é mais pelo hobbie dele possivelmente\o/

Não sei porque pensaste que eu iria gostar desse post, apesar dele ser bom, e do meu comentário inútil.

BooBoo Maria Gabriela disse...

Ficou consistente.

:)

R. disse...

Isso me lembra alguma frase célebre de alguém em alguma coisa que li. Era algo sobre ser impossível seres humanos cheirarem bem,já que estão sempre morrendo.
Um belo texto. Feito como os escritores antigos, amargos e rabugentos faziam. Gosto.
(e oi, meu nome é raquel e eu fuço nos links dos meus amigos :D)